Ainda no Século IV d.C., ao final do Império Romano, um escritor e especialista militar de nome Públio Flávio Vegécio Renato escreveu vários compêndios sobre a Arte da Guerra, inspirando durante séculos alguns estrategistas militares. Ficou entretanto imortalizado com a célebre frase em latim “Qui desiderat pacem, praeparet bellum“, que na sua essência quer dizer “Quem deseja a paz, prepare-se para a guerra“.
Essa frase de Flávio Vegéciu atravessou os séculos e ainda hoje é compulsada por muitos estudiosos da estratégia militar, porém, vem sendo muito negligenciada pela diplomacia de alguns países. O que o autor tentou alertar naquela época foi que, para sentar numa mesa de negociações em condições boas de argumentação, qualquer diplomacia deve possuir em sua retaguarda uma força militar e ou econômica igual ou superior à de seu adversário ou inimigo.
Quando me refiro aos países que negligenciam a frase de Flávio, destaco como um deles e que vem sendo evidenciado com força e de forma bastante peculiar, o nosso querido país – o Brasil. Sim, ele mesmo, o Brasil de Guararapes (1648-1649), onde pela primeira vez, o branco o negro (hoje afro descendente) e o índio (hoje povos originários), pronunciaram e assumiram a luta por uma Nação. Surgia neste momento muito importante da nossa História, a nação brasileira, e com ela a gênese do Exército Brasileiro, por isso denominado o Exército
de Guararapes, subjugando e expulsando as forças holandesas que haviam invadido o nosso território por três décadas.
Mais recentemente, em solo palestino, a frase de Flávio Vegecio se materializava numa mesa de negociações onde o Egito e o Catar, motivados e incentivados pelos EUA, onde se organizavam para construir um acordo pondo fim a uma tragédia que foi iniciada em 7 de outubro de 2023. Dia em que o grupo terrorista Hamas invadiu o território israelense, lançou foguetes e infiltrou-se assassinando barbaramente civis que se encontravam em comunidades daquele país. Foi após a demonstração de seu poder militar que os EUA e Israel puderam sentar-se à mesa de negociações e apresentar argumentos apoiados em preceitos militares e diplomáticos.
Na contramão do pensamento de todos os estrategistas que encontram a sua inspiração do historiador romano, o Brasil segue, por meio de seu governo federal, empregando uma diplomacia às avessas, desafiando o poder norte-americano, na tentativa apenas de capitalizar-se politicamente, alegando estar lutando para preservar a soberania brasileira que em nenhum momento foi ameaçada pelo governo Trump.
Nessa mesma toada, o governo brasileiro subestima a sua própria diplomacia confrontando a capacidade do Itamaraty com a atuação de um deputado federal que luta em busca da salvação política e física de seu pai. Paralelamente, o governo brasileiro vem enfraquecendo tanto a sua economia como suas Forças Armadas, reduzindo assim as suas possibilidades de sentar à mesa de negociações com países cuja estatura está muito
aquém do que se espera de um país com um território de dimensões continentais e com uma história de liderança no concerto das nações.
O governo Trump por sua vez decidiu colocar num mesmo patamar, argumentando razões idênticas, as sanções econômicas e a aplicação de leis punitivas a um dos magistrados da nossa Suprema Corte, abrindo assim a oportunidade para que o governo brasileiro de forma vil, atribua ao deputado brasileiro a pecha de traidor, confundindo a população menos informada, pregando a narrativa de que as sanções econômicas tenham sido solicitadas pelo parlamentar e propostas deliberadamente para prejudicar a economia de seu país de origem, a titulo de vingança. Pior que isso, é que a estratégia petista, de confundir a população, vem obtendo resultados, aumentando a popularidade do nosso gestor estratégico que segue alternando a sua tática entre uma visita de seu chanceler aos EUA para, de forma presencial, discutir as sanções comerciais impostas ao Brasil e as punições aos ministros do STF, ao mesmo tempo em que o próprio presidente, utilizando-se de seu palanque político desafia a mais poderosa nação do mundo, seja no campo
econômico seja no campo militar, sugerido a criação de uma nova moeda em substituição ao dólar e uma ideologia autóctone latina, isolando aquela grande nação, desprezando inúmeros acordos politico militares que sempre regeram as relações bilaterais Brasil – EUA.
Nesses últimos dias de outubro, o nosso presidente, em viagem à Ásia, prossegue atacando o governo dos EUA de forma indireta, sugerindo a utilização de moedas de seus países e não mais o dólar como o sistema mundial vem fazendo desde 1944, em cumprimento ao Acordo de Bretton Woods, assinado no estado de New Hampshire, nos Estados Unidos, entre os 44 países que se reuniram estabelecendo a moeda americana como sendo a mais segura e estável.
Os ataques do presidente brasileiro soam como ameaças e desafios ao governo americano que vem aplicando sanções a vários outros países e cujas reações divergem da postura brasileira e tendem mais a empregar a estratégia de Públio Flávio Vegécio Renato mostrando que ao sentarem-se à mesa para negociar, o correto é se fazer uma avaliação sobre o poder que está por traz da autoridade negociadora e com quais ferramentas ela conta para a tal negociação.
O encontro recente dos dois presidentes americanos na Malásia demonstra que de nada adianta sentar-se numa mesa de negociação se não tiver nada a oferecer, se não tiver nada a negociar, serão palavras ao vento, serão apenas fotografias diplomáticas. Logo após a saída do encontro isso ficou muito claro, por meio de comentários do tipo “a reunião foi muito boa”. Se a reunião tivesse sido de fato muito boa, os resultados seriam imediatamente divulgados. Os acordos desejados pelo governo brasileiro só serão concretizados se o seu interlocutor tiver as suas questões solucionadas e consolidadas, sim porque o centro de gravidade tende mais para os EUA. Com isso, o Brasil retorna de uma viagem com um forte “não”, tudo ficará como anteriormente colocado. O elogio do Presidente Trump a Bolsonaro, ainda no bate bola com os
jornalistas, antecipou a sua posição diplomática.
A conclusão neste momento é a de que, internamente essa estratégia brasileira pode ter um efeito muito interessante sob o ponto de vista politico partidário para a esquerda, mas externamente, o Brasil a cada dia se afunda mais nessa areia movediça da vaidade e da falta de comprometimento com o desenvolvimento e o progresso da nossa nação.
“Qui desiderat pacem, praeparet bellum“

Texto: General Araújo Lima
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