A frase atribuída ao filósofo chinês Lao Tsé (século VI a.C.), popularizada pelo líder Mao Tsé-Tung em seus discursos, aplica-se perfeitamente aos dias de hoje. Ao analisarmos o cenário atual no Brasil, a marcha promovida pelo deputado federal Nícolas Ferreira — já reconhecida como “Caminhada pela Liberdade” — de fato começou com alguns passos em Paracatu, Minas Gerais, e já demonstra uma repercussão impressionante.
O trajeto planejado por Nícolas exige análise: trata-se de um percurso longo que demanda preparo físico e psicológico. Como oficial de infantaria do Exército Brasileiro, afirmo que marchar 200 km não é tarefa simples. Durante meus 42 anos de caserna, realizei inúmeras marchas similares, mas elas seguiam uma sequência de preparação para os militares que incorporavam anualmente às fileiras de nossas unidades. Após os primeiros meses, os recrutas aprovados em exames físicos e de saúde, submetidos a treinamento controlado, partiam para a marcha de 8 km (com uma pausa de 10 minutos na metade), seguiam para a de 16 km e, ao final do período de adestramento, chegavam aos 32 km. Num passado não muito distante, a marcha de 200 km integrava o adestramento das tropas, mas foi reduzida com o advento de novos meios de transporte.
O deputado Nícolas demonstra bom desempenho físico e mental, reagindo bem aos obstáculos naturais e políticos. Observa-se que, durante o trajeto, a chuva esteve presente: em alguns momentos, favoreceu ao amenizar o calor escaldante; em outros, atrapalhou ao molhar pés e roupas, provocando calos e assaduras nos pés, virilhas e axilas. Quanto aos obstáculos políticos, o incômodo que o movimento causa aos militantes de esquerda tem gerado ações para impedir o avanço da Caminhada pela Liberdade.
Políticos como o deputado Lindberg Farias têm adotado medidas judiciais e policiais para obstruir as vias de acesso. O apoio que o movimento recebe de empresários e políticos de diversos matizes preocupa a esquerda em um ano eleitoral decisivo para o futuro do Brasil.
A História está repleta de marchas famosas cujas repercussões políticas merecem lembrança, especialmente quando se tenta associar este movimento a uma nova “trama golpista”, mesmo sem indícios de violência ou tentativa de alterar a estabilidade política do país. Como exemplos, citam-se as marchas da Revolução de Veludo (Praga), as promovidas pelo Movimento Solidariedade (Polônia) e as Marchas de Segunda-Feira pela queda do Muro de Berlim (Alemanha).
Ressalte-se, entretanto, que o promotor do evento, deputado Nícolas, tem deixado claros os objetivos da caminhada: demonstrar ao Brasil e ao mundo a necessidade de uma anistia ampla, geral e irrestrita. O intuito é permitir a pacificação do país para que, nas próximas eleições, o povo possa eleger seus verdadeiros líderes.
No próximo domingo, 25 de janeiro de 2026, Brasília e o Brasil assistirão ao final desta marcha. Iniciada com os primeiros passos e poucos simpatizantes, tudo indica que será concluída de forma muito diferente. Aguardemos.
“Não é o destino que importa, e sim o percurso.”
Texto-General ARAÚJO LIMA –
Veterano do Exército Brasileiro e
Coordenador do Poty News e Potycast
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