Na madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, quando o povo ainda se recuperava
das comemorações da virada do ano, outro tipo de virada acontecia na Venezuela,
desfazendo um mistério e uma dúvida que pairavam sobre as águas caribenhas: “Para
que serve todo aquele aparato naval mantido pelos Estados Unidos na região?”
Não é uma prática dos EUA manter uma frota naval tão forte desdobrada em águas
internacionais apenas como demonstração de força e poder. A logística aplicada ao Caribe
mostrava-se superior aos desfiles navais realizados como propaganda ou marketing
norte-americano.
Naquela madrugada, após vários meses de acompanhamento por parte da infiltração de
agentes da CIA em solo caribenho, inclusive com a colaboração de venezuelanos
integrantes do grupo mais próximo de Nicolás Maduro, Trump monitorava a rotina do
ditador venezuelano e de sua esposa e levantava as possibilidades de as forças daquele
país reagirem a uma ação militar cirúrgica para exfiltrá-lo do território e conduzi-lo até os
EUA para ser julgado pelos crimes a ele atribuídos.
Os objetivos políticos de uma operação dessa natureza se confundem com os
econômicos, uma vez que, ao mesmo tempo que o povo venezuelano clama por uma
libertação da opressão política, a Venezuela detém em seu território a maior reserva de
petróleo do mundo, cuja produção e exportação vêm sendo prejudicadas pela corrupção e
incompetência do governo de Nicolás Maduro. A cargo da empresa estatal venezuelana
Petróleo de Venezuela S.A. (PDVSA), que para 2026 mantém como parceiras na
exploração do petróleo bruto as empresas estrangeiras Chevron (EUA), Roszarubezhneft
(Rússia) e a chinesa Sinopec, a exploração do petróleo, após o aparelhamento de sua
estrutura administrativa por meio da distribuição de cargos para homens considerados da
inteira confiança de Maduro, mas absolutamente despreparados tecnicamente, sofria as
agruras da falta de investimentos, corrupção e incompetência e sobrevivia com uma
estrutura arcaica e sem manutenção.
Respeitando a máxima de que “as nações não têm amigos, mas interesses”, o governo
Trump decidiu aproveitar a crise política para ocupar o seu espaço geoestratégico,
mostrando ao mundo que é capaz de fazer o inesperado e deixar de lado todos os acordos
anteriormente assinados, visto que a Venezuela se encontrava sob o comando de um
governo ilegal e não reconhecido, para colocar em prática, a ferro e fogo, o que vinha há
meses anunciando, e cujo cerco se alternava entre propostas de renúncia e negociação
direta e indireta com o ditador. Decidiu por uma operação de retirada de Maduro do poder
e, com isso, atendendo a dois grandes objetivos americanos: mostrar que a Doutrina
Monroe (América para os americanos) ainda se mantém e retomar a gestão das maiores
reservas do “ouro negro” que atualmente estavam sendo vilipendiadas — o que ficou
muito claro em seu primeiro discurso pós-Operação Resolução Absoluta, como foi
batizada por seu secretário Marco Rubio, a operação desencadeada pelas forças militares.
Discute-se hoje nos bastidores se Maduro foi capturado, foi entregue ou se entregou, mas,
independentemente da forma política como aconteceu, a Operação Resolução Absoluta foi
dividida em etapas muito bem definidas:
Em uma etapa inicial, quatro meses antes de sua execução, em uma ação preliminar de
inteligência, foi realizado um efetivo trabalho de busca de informações estratégicas
importantes para a definição dos objetivos táticos a serem bloqueados para a execução
segura da força americana, evitando qualquer reação por parte das forças venezuelanas,
bem como se obteve uma perfeita caracterização da rotina de Maduro e de sua esposa
Cilia Flores, considerada uma figura importante no contexto político;
Em uma segunda etapa, foram construídas estruturas semelhantes àquelas que seriam
abordadas pelas forças militares no local da operação, a fim de permitir que as tropas,
durante o período de preparação, realizassem ensaios, evitando assim falhas e/ou baixas
desnecessárias dos dois lados;
Na etapa de execução, a partir de 3 de janeiro de 2026, foi realizado um bombardeio
cirúrgico sobre os alvos levantados pela inteligência, com ênfase nos aeródromos da força
aérea venezuelana e nas fontes de geração de energia locais, promovendo um “apagão”
no sistema de iluminação da área, isolando e desorganizando as forças venezuelanas. Ato
contínuo, integrantes da Força Delta, especialistas em operações de infiltração e
exfiltração em território inimigo, executaram a captura de Maduro, que não estava no
Palácio Miraflores, e sim no Forte Tiuna, no sudeste de Caracas, instalação por ele
ocupada visando obter mais segurança. Às 02h00 de Caracas (03h00 de Brasília),
seguiu-se a exfiltração de Maduro e sua esposa, no mais curto prazo, empregando
aeronaves de asa rotativa (helicópteros de combate) do grupo especial denominado Night
Stalkers, especializado em operações noturnas em ambiente de pouca ou nenhuma
visibilidade;
Após a operação de captura, Maduro foi transportado de helicóptero até o navio de guerra
Iwo Jima, onde chegou às 05h30, e de onde foi transportado de avião até o aeroporto do
norte do estado de Nova York e, por fim, foi transferido de helicóptero para a cidade de
Nova York.
Hoje, Maduro está sob custódia da justiça americana e será apresentado ao tribunal, onde
será julgado pelos crimes de conspiração para o narcoterrorismo, por importação de
cocaína e pelo uso de armas de grande porte contra os EUA.
Quanto aos próximos capítulos dessa ação político-econômica e estratégica dos EUA,
embora muitos especialistas insinuem que o governo Trump, neste momento, ainda não
tem uma linha de ação definida sobre o que fará com a Venezuela, a minha discordância
está no pragmatismo e na experiência americana na ocupação de países em que atuou e
teve que ocupar e recuperar as suas estruturas. Esse tema merece um texto específico
onde poderá ser explorado o papel do Comando Sul, que é o grande responsável pelos
estudos e projetos americanos para os países sul-americanos neste caso, da
Venezuela e de seus vizinhos, o que me leva a crer que Marco Rubio – Secretário de
Estado americano – o general Dan Kane -Chefe do Estado-Maior americano e o
comandante do Comando Sul – Almirante Alvin Holsey não ficaram todo esse período
de preparação sem analisar o Day After, esperando serem surpreendidos pelo resultado.
Resta apenas concluir que os EUA têm em mãos um grande desafio, ao mesmo tempo em
que têm o controle de seu maior e mais importante objetivo econômico (petróleo) e a
possibilidade de manter o controle sobre a presença na América do Sul de seus maiores
inimigos (China, Rússia e Irã). Vencida essa etapa da retirada de Maduro do poder,
teremos mais dois ou três anos para que se restabeleça a democracia naquele nosso
vizinho, mas a mensagem foi passada para todos os inimigos de Trump: “Os Estados
Unidos voltaram, e mais fortes ainda.”
Texto: General Araújo Lima
Ancora do programa Potycast (Youtube)
